O que é o crédito pessoal
O crédito pessoal é um empréstimo concedido por uma instituição de crédito, sem necessidade de indicar uma finalidade específica obrigatória (ao contrário, por exemplo, do crédito automóvel, que se destina à compra de um veículo). O montante é disponibilizado de uma só vez, e é reembolsado através de prestações mensais fixas, ao longo de um prazo previamente definido.
Características típicas:
- Montantes: normalmente entre 1.000€ e 75.000€, variando consoante a instituição e o perfil do cliente
- Prazos: geralmente entre 12 e 120 meses (1 a 10 anos)
- Taxa de juro: pode ser fixa ou variável, mas a esmagadora maioria dos créditos pessoais em Portugal é contratada com taxa fixa
- Garantias: normalmente não exige hipoteca ou outra garantia real, ao contrário do crédito habitação
Para que serve normalmente
Por não ter uma finalidade obrigatória, o crédito pessoal é usado para os mais variados fins:
- Obras ou remodelação da casa
- Despesas de saúde não cobertas por seguro
- Compra de eletrodomésticos, mobiliário ou equipamento tecnológico
- Despesas com educação
- Casamentos ou eventos familiares
- Viagens
- Consolidação de dívidas mais pequenas
Alguns bancos oferecem também crédito pessoal com finalidade específica (por exemplo, “crédito para energias renováveis” ou “crédito para educação”), que pode ter condições ligeiramente mais vantajosas do que o crédito pessoal genérico, precisamente por servir um propósito considerado prioritário pela instituição.
Como funciona o processo de contratação
- Simulação: define-se o montante pretendido e o prazo, e a instituição apresenta uma proposta com TAN, TAEG e valor da prestação mensal
- Análise de risco: o banco avalia a capacidade financeira do cliente, cruzando rendimento, despesas fixas e o histórico de crédito através do Mapa de Responsabilidades do Banco de Portugal
- Aprovação e formalização: sendo aprovado, o contrato é formalizado e o montante disponibilizado, normalmente por transferência bancária
- Reembolso: o cliente paga uma prestação mensal fixa, que inclui capital e juros, até ao final do prazo contratado
Fatores que influenciam a taxa de juro
A taxa de juro (e consequentemente a TAEG) de um crédito pessoal não é igual para todos os clientes. Os principais fatores que a instituição de crédito avalia incluem:
- Montante e prazo do crédito — prazos mais longos tendem a ter taxas ligeiramente mais elevadas
- Perfil de risco do cliente — tipo de contrato de trabalho, estabilidade do rendimento, histórico de crédito
- Taxa de esforço — peso das prestações já existentes face ao rendimento disponível
- Relação com a instituição — clientes com outros produtos contratados (conta à ordem, ordenado domiciliado) podem beneficiar de condições mais vantajosas
Crédito pessoal vs. cartão de crédito
É comum comparar-se o crédito pessoal com o recurso ao cartão de crédito para despesas maiores, mas as diferenças são relevantes:
| Crédito pessoal | Cartão de crédito | |
| Taxa de juro (TAEG) | Tipicamente mais baixa | Tipicamente mais elevada |
| Prestação | Fixa, definida à partida | Variável, consoante o saldo usado |
| Prazo | Definido no contrato | Indefinido, enquanto houver saldo em dívida |
| Adequado para | Despesas maiores e planeadas | Despesas pequenas e pontuais |
Para despesas de valor mais elevado, o crédito pessoal costuma ser a opção mais económica, precisamente por ter uma TAEG geralmente inferior à do crédito rotativo em cartão.
Quando faz sentido recorrer a crédito pessoal
Faz sentido considerar um crédito pessoal quando:
- A despesa é planeada e não pode (ou não deve) ser suportada de imediato pela poupança disponível
- A prestação mensal resultante mantém a taxa de esforço total do agregado dentro de níveis confortáveis (idealmente abaixo de 35%)
- A alternativa seria recorrer a crédito com taxa mais elevada, como o cartão de crédito
Quando não faz sentido recorrer a crédito pessoal
Por outro lado, deve ser evitado ou repensado quando:
- A taxa de esforço já está elevada com outros créditos em curso
- O crédito serve para pagar outro crédito, sem resolver a causa do desequilíbrio financeiro
- Existe já uma reserva de poupança que poderia cobrir a despesa sem necessidade de endividamento
- A finalidade é uma despesa discricionária que pode ser adiada até haver poupança suficiente
Crédito pessoal e consolidação de créditos
Quando uma pessoa já tem vários créditos pessoais e cartões em simultâneo, com prestações dispersas e taxas de juro diferentes, um novo crédito pessoal isolado raramente é a melhor solução. Nestes casos, a consolidação de créditos (que reúne todas as dívidas numa única operação, com uma prestação mensal mais baixa) tende a ser uma alternativa mais eficaz do que contrair mais um crédito pessoal em paralelo aos existentes.
Perguntas frequentes sobre crédito pessoal
Posso amortizar um crédito pessoal antecipadamente?
Sim, a lei permite a amortização antecipada, total ou parcial, podendo estar sujeita a uma comissão máxima definida por lei, geralmente mais baixa em taxa variável do que em taxa fixa.
O crédito pessoal aparece no Mapa de Responsabilidades de Crédito?
Sim, todos os créditos contratados junto de instituições reportantes ficam registados no Mapa de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal, e são considerados na análise de futuros pedidos de crédito.
Qual a diferença entre crédito pessoal e crédito consolidado?
O crédito pessoal é um novo crédito, contratado para uma finalidade específica ou genérica. O crédito consolidado é uma reestruturação de créditos já existentes, com o objetivo de os reunir numa única prestação, tipicamente mais baixa.