O que é a Euribor
A Euribor, sigla de Euro Interbank Offered Rate, é a taxa de juro de referência do mercado interbancário da zona euro. Em termos simples, representa a taxa média à qual um conjunto de grandes bancos europeus está disposto a emprestar dinheiro entre si por determinados prazos.
É calculada diariamente pelo European Money Markets Institute (EMMI), com base nas cotações de um painel de bancos da zona euro. O Banco de Portugal é o único banco português incluído neste painel. O valor publicado em cada dia reflete as condições de liquidez e de risco do mercado interbancário europeu nesse momento.
A Euribor não é definida diretamente pelo Banco Central Europeu (BCE) nem por uma entidade governamental. É um resultado de mercado que reflete, de forma indireta, as expectativas dos bancos sobre a evolução das taxas de juro do BCE. Quando o BCE sobe as taxas diretoras, os bancos tendem a cobrar mais entre si e a Euribor sobe. Quando o BCE desce as taxas, a Euribor tende também a descer.
Os diferentes prazos da Euribor
A Euribor existe em vários prazos: 1 semana, 1 mês, 3 meses, 6 meses e 12 meses. Em Portugal, os prazos mais relevantes para os contratos de crédito habitação são três.
Euribor a 3 meses
A Euribor a 3 meses é a taxa de referência para empréstimos com revisão trimestral. É a que reage mais rapidamente às mudanças de política monetária do BCE. Quando o BCE mexe nas taxas, a Euribor a 3 meses ajusta-se mais depressa.
Isto significa maior volatilidade, com prestações que podem mudar quatro vezes por ano. Pode ser vantajosa quando as taxas estão a descer, mas exige maior tolerância a oscilações frequentes.
Em março de 2026, a média mensal da Euribor a 3 meses fixou-se em 2,109%.
Euribor a 6 meses
A Euribor a 6 meses é atualmente o prazo mais utilizado em Portugal nos contratos de crédito habitação a taxa variável, representando cerca de 39% do stock de empréstimos para habitação própria permanente.
A revisão da prestação acontece duas vezes por ano, o que oferece maior estabilidade do que a Euribor a 3 meses, mas menos do que a Euribor a 12 meses. É, por isso, uma solução intermédia entre reatividade e previsibilidade.
Em março de 2026, a média mensal da Euribor a 6 meses fixou-se em 2,322%.
Euribor a 12 meses
A Euribor a 12 meses é a taxa de referência para empréstimos com revisão anual. A prestação só é atualizada uma vez por ano, o que dá maior previsibilidade ao orçamento familiar.
Em contrapartida, reage mais lentamente às descidas da Euribor, o que pode ser desvantajoso em períodos de queda das taxas. Ainda assim, pode fazer sentido para quem valoriza estabilidade e prefere evitar alterações frequentes na prestação.
Em março de 2026, a média mensal da Euribor a 12 meses fixou-se em 2,565%.
Como a Euribor afeta a tua prestação
Na maioria dos créditos habitação a taxa variável em Portugal, a taxa de juro final é composta por dois elementos:
Taxa de juro = Euribor + Spread
O spread é a margem fixa negociada com o banco no momento da contratação e mantém-se constante durante toda a vida do contrato. A Euribor é a componente variável, atualizada periodicamente conforme o prazo indexado ao contrato.
Quando a Euribor sobe, a taxa de juro total sobe e a prestação mensal aumenta. Quando a Euribor desce, a taxa de juro total desce e a prestação mensal diminui.
Exemplo concreto com crédito de 150.000€, spread de 1% e prazo de 30 anos:
| Euribor a 6 meses | Taxa total | Prestação mensal |
| 0,5% (mínimo histórico, 2021) | 1,5% | ~518€ |
| 4,0% (pico de 2023) | 5,0% | ~805€ |
| 2,322% (março 2026) | 3,322% | ~658€ |
Nota: valores indicativos para ilustração. A prestação real depende do montante em dívida no momento da revisão, não do montante original.
A diferença entre o pico de 2023 e março de 2026 representa uma poupança de cerca de 147€ por mês neste exemplo, ou seja, mais de 1.700€ por ano. Para créditos de maior montante, o impacto é proporcionalmente mais elevado.
Como funciona a revisão da prestação
A prestação do teu crédito habitação a taxa variável não muda todos os dias com a Euribor. Muda apenas na data de revisão, que ocorre com a frequência do prazo indexado ao contrato.
Como é calculada a Euribor na revisão: o banco não usa o valor da Euribor no dia exato da revisão. Usa a média mensal do mês anterior à revisão, calculada com base nos valores dos dias úteis desse mês. Por exemplo, se a revisão é em abril, o banco usa a média de março.
O que acontece na revisão: o banco recalcula a prestação com base no montante ainda em dívida nessa data, no prazo restante e na nova taxa de juro, composta pela nova Euribor mais o spread fixo. A nova prestação aplica-se durante o período seguinte até à próxima revisão.
A evolução recente da Euribor e o que esperar
A Euribor viveu nos últimos anos uma verdadeira montanha-russa, com impacto direto nas finanças das famílias portuguesas com crédito habitação.
2021 e início de 2022: Euribor negativa ou próxima de zero, resultado da política de taxas ultrabaixas do BCE para estimular a economia após a pandemia. As prestações estavam em mínimos históricos.
2022 a 2023: o BCE iniciou um ciclo de subidas agressivas das taxas para combater a inflação na zona euro. A Euribor passou de valores negativos para valores acima dos 4% em 2023, numa subida muito rápida. Muitas famílias viram as prestações duplicar ou quase.
2024 a 2025: o BCE iniciou um ciclo de cortes graduais à medida que a inflação foi descendo. A Euribor acompanhou essa descida, terminando 2025 em torno de 2%.
2026: a Euribor estabilizou em torno de 2% a 2,5%, dependendo do prazo. O BCE manteve as taxas inalteradas nas primeiras reuniões de 2026, com a taxa de refinanciamento em 2,15%. A principal incerteza para o restante do ano é o impacto do conflito no Médio Oriente na inflação e nas consequentes decisões do BCE.
Qual a melhor taxa Euribor: 3, 6 ou 12 meses
Não existe uma resposta universal. A escolha do prazo da Euribor depende da tua tolerância ao risco, da importância que dás à estabilidade e das expectativas sobre a evolução das taxas.
Euribor a 3 meses
Vantagem: beneficia mais rapidamente das descidas da Euribor.
Desvantagem: tem mais volatilidade e a prestação pode mudar quatro vezes por ano.
Ideal para: quem aceita variação frequente e quer aproveitar descidas mais depressa.
Euribor a 6 meses
Vantagem: oferece equilíbrio entre reatividade e estabilidade, com revisão semestral.
Desvantagem: reage mais lentamente às descidas do que a Euribor a 3 meses.
Ideal para: a maioria dos perfis. É o prazo mais comum em Portugal por um motivo.
Euribor a 12 meses
Vantagem: maior previsibilidade, com prestação atualizada apenas uma vez por ano.
Desvantagem: reage mais lentamente tanto às subidas como às descidas.
Ideal para: quem valoriza a estabilidade orçamental acima de tudo.
Em março de 2026, a Euribor a 3 meses, de 2,109%, é mais baixa do que a de 6 meses, de 2,322%, e do que a de 12 meses, de 2,565%. Numa curva de taxas normal, prazos mais longos têm taxas mais altas porque refletem maior incerteza futura.
O impacto da Euribor na taxa de esforço e na consolidação de créditos
Quando a Euribor sobe, a prestação do crédito habitação sobe também. Se já tens outros créditos ativos, como crédito pessoal, automóvel ou cartões, o aumento da prestação da casa pode empurrar a tua taxa de esforço para cima do limite recomendado de 35 a 40% definido pelo Banco de Portugal, ou mesmo aproximá-la do limite legal de 50%.
Neste cenário, a consolidação de créditos pode ser uma ferramenta útil. Juntar os créditos pessoais e o automóvel num único contrato com prestação mais baixa pode libertar margem no orçamento para absorver a subida da prestação do crédito habitação, sem que a taxa de esforço total ultrapasse os limites.
Exemplo:
| Situação | Valor |
| Rendimento líquido | 2.000€ |
| Prestação crédito habitação após subida da Euribor | 750€ |
| Peso da prestação habitação no rendimento | 37,5% |
| Prestação crédito pessoal + automóvel | 350€ |
| Taxa de esforço total antes da consolidação | 1.100€ / 2.000€ = 55% |
| Prestação consolidada após consolidar créditos pessoais | 200€ |
| Nova taxa de esforço | 950€ / 2.000€ = 47,5% |
Nota: valores indicativos para ilustração.
O que fazer quando a Euribor sobe e a prestação aumenta
Quando a Euribor sobe, não controlas diretamente a taxa de referência, mas podes atuar sobre outras partes do teu orçamento e do contrato. Há várias estratégias que podem ajudar a reduzir o impacto.
Renegociar o spread com o banco atual
Se o teu spread foi contratado há vários anos, pode estar acima do que conseguirias negociar hoje. Uma redução no spread compensa parcialmente o efeito de uma Euribor mais alta.
O banco não é obrigado a aceitar, mas a possibilidade concreta de transferires o crédito para outro banco é frequentemente o argumento mais eficaz numa negociação.
Transferir o crédito para outro banco com spread mais baixo
A transferência do crédito habitação para outro banco é gratuita desde outubro de 2024. Se encontrares um spread mais competitivo noutra instituição, a diferença pode compensar os custos administrativos da transferência.
Além disso, iniciar o processo de transferência pode levar o banco atual a apresentar uma proposta de retenção com melhores condições.
Considerar a conversão para taxa fixa
Se a Euribor está num patamar que te preocupa e preferes previsibilidade, podes negociar com o banco a conversão de taxa variável para taxa fixa.
A taxa fixa elimina a incerteza da Euribor, mas tende a ser mais cara no curto prazo. Por isso, vale a pena comparar a prestação atual, a prestação em taxa fixa e possíveis cenários de subida ou descida da Euribor.
Consolidar outros créditos para libertar margem
Consolidar créditos mais caros, como créditos pessoais, cartões ou crédito automóvel, pode reduzir a prestação total mensal e compensar o impacto de uma Euribor mais alta no crédito habitação.
Esta solução não altera diretamente a Euribor nem a prestação da casa, mas pode baixar a pressão global sobre o orçamento e ajudar a manter a taxa de esforço dentro de limites sustentáveis.
Amortizar antecipadamente capital
Se tens poupanças disponíveis, amortizar antecipadamente parte do capital em dívida reduz o montante sobre o qual a Euribor é aplicada.
Na prática, quanto menor for o capital em dívida, menor será o impacto de futuras subidas da taxa de juro na prestação. Antes de avançar, deves comparar a poupança em juros com eventuais custos de amortização antecipada.
Quando a Euribor mexe, o orçamento também tem de mexer
A Euribor é a taxa de referência que determina a componente variável do custo do teu crédito habitação. Em março de 2026, situa-se em 2,109% a 3 meses, 2,322% a 6 meses e 2,565% a 12 meses, valores significativamente mais baixos do que o pico de 2023, mas ainda acima dos mínimos históricos de 2021.
Quando a Euribor sobe, a tua prestação sobe. Quando desce, a tua prestação desce. Se a subida da Euribor está a pressionar a tua taxa de esforço, existem ferramentas concretas para mitigar o impacto: renegociar o spread, transferir o crédito, converter para taxa fixa, amortizar antecipadamente ou consolidar outros créditos para libertar margem no orçamento.
Perguntas frequentes sobre a Euribor
O que é a Euribor e como funciona?
A Euribor, ou Euro Interbank Offered Rate, é a taxa de juro média à qual os principais bancos da zona euro se emprestam dinheiro entre si no mercado interbancário. É calculada diariamente pelo European Money Markets Institute (EMMI) e publicada para vários prazos: 1 semana, 1 mês, 3 meses, 6 meses e 12 meses. Em Portugal, é a taxa de referência usada na maioria dos créditos habitação a taxa variável. A taxa de juro final do crédito é a Euribor mais o spread negociado com o banco.
Qual o valor da Euribor hoje em março de 2026?
As médias mensais de março de 2026 fixaram-se em 2,109% a 3 meses, 2,322% a 6 meses e 2,565% a 12 meses. Para o valor diário atualizado, consulta o Portal do Cliente Bancário do Banco de Portugal ou o site do European Money Markets Institute (EMMI).
Qual a previsão da Euribor para 2026?
O BCE manteve as taxas inalteradas nas primeiras reuniões de 2026, com a taxa de refinanciamento em 2,15%. As previsões dos analistas apontam para estabilização da Euribor em torno de 2% a 2,5% ao longo do ano, embora a incerteza associada ao conflito no Médio Oriente e ao seu impacto na inflação introduza riscos de subida. Nenhuma previsão de Euribor é garantida.
Qual a melhor taxa Euribor: 3, 6 ou 12 meses?
Não existe uma resposta universal. A Euribor a 3 meses reage mais depressa às descidas, mas tem mais volatilidade. A de 12 meses dá mais previsibilidade, mas reage mais lentamente. A de 6 meses é um compromisso entre as duas e é atualmente a mais usada em Portugal. Em março de 2026, a Euribor a 3 meses é a mais baixa das três.
Quanto vai subir a minha prestação da casa se a Euribor subir?
Depende do montante em dívida, do prazo restante e do spread. Como referência, uma subida de 0,5 pontos percentuais na Euribor num crédito de 150.000€ a 30 anos representa um aumento de cerca de 37€ por mês na prestação. Para créditos de 200.000€, o impacto é de cerca de 50€ por mês por cada 0,5 pontos de subida.
A Euribor pode voltar a ser negativa?
É tecnicamente possível, mas improvável no curto prazo. A Euribor foi negativa entre 2015 e 2022, fruto da política de taxas ultrabaixas do BCE para estimular a economia. Com a inflação atual e o contexto geopolítico, o regresso a valores negativos não está nos cenários previstos pelos analistas para 2026.
O que é a média mensal da Euribor e para que serve?
A média mensal da Euribor é a média aritmética dos valores diários da Euribor ao longo de um mês. É este valor que os bancos usam para calcular a nova prestação nas revisões dos créditos habitação. Por exemplo, se o teu contrato revê a prestação em abril com base na Euribor a 6 meses, o banco usa a média mensal de março para calcular a nova prestação.