Publicado em: 15/05/2026

publicado por:

Alexandre Silva

Euribor: o que é, como funciona e como afeta a tua prestação

Resumo rápido

O que é: a taxa de juro média à qual os principais bancos europeus se emprestam dinheiro entre si no mercado interbancário.

Prazos mais comuns em Portugal: 3 meses, 6 meses e 12 meses.

Valores em março 2026: Euribor a 3 meses: 2,109% | Euribor a 6 meses: 2,322% | Euribor a 12 meses: 2,565%.

Impacto: é a componente variável da taxa de juro dos créditos habitação a taxa variável. Quando sobe, a prestação sobe. Quando desce, a prestação desce.

Ligação à consolidação: uma Euribor elevada pode aumentar a taxa de esforço ao ponto de tornar útil a consolidação de outros créditos para libertar margem no orçamento.

Euribor o que é, como funciona e como afeta a tua prestaçao

O que é a Euribor

A Euribor, sigla de Euro Interbank Offered Rate, é a taxa de juro de referência do mercado interbancário da zona euro. Em termos simples, representa a taxa média à qual um conjunto de grandes bancos europeus está disposto a emprestar dinheiro entre si por determinados prazos.

É calculada diariamente pelo European Money Markets Institute (EMMI), com base nas cotações de um painel de bancos da zona euro. O Banco de Portugal é o único banco português incluído neste painel. O valor publicado em cada dia reflete as condições de liquidez e de risco do mercado interbancário europeu nesse momento.

A Euribor não é definida diretamente pelo Banco Central Europeu (BCE) nem por uma entidade governamental. É um resultado de mercado que reflete, de forma indireta, as expectativas dos bancos sobre a evolução das taxas de juro do BCE. Quando o BCE sobe as taxas diretoras, os bancos tendem a cobrar mais entre si e a Euribor sobe. Quando o BCE desce as taxas, a Euribor tende também a descer.

Os diferentes prazos da Euribor

A Euribor existe em vários prazos: 1 semana, 1 mês, 3 meses, 6 meses e 12 meses. Em Portugal, os prazos mais relevantes para os contratos de crédito habitação são três.

Euribor a 3 meses

A Euribor a 3 meses é a taxa de referência para empréstimos com revisão trimestral. É a que reage mais rapidamente às mudanças de política monetária do BCE. Quando o BCE mexe nas taxas, a Euribor a 3 meses ajusta-se mais depressa.

Isto significa maior volatilidade, com prestações que podem mudar quatro vezes por ano. Pode ser vantajosa quando as taxas estão a descer, mas exige maior tolerância a oscilações frequentes.

Em março de 2026, a média mensal da Euribor a 3 meses fixou-se em 2,109%.

Euribor a 6 meses

A Euribor a 6 meses é atualmente o prazo mais utilizado em Portugal nos contratos de crédito habitação a taxa variável, representando cerca de 39% do stock de empréstimos para habitação própria permanente.

A revisão da prestação acontece duas vezes por ano, o que oferece maior estabilidade do que a Euribor a 3 meses, mas menos do que a Euribor a 12 meses. É, por isso, uma solução intermédia entre reatividade e previsibilidade.

Em março de 2026, a média mensal da Euribor a 6 meses fixou-se em 2,322%.

Euribor a 12 meses

A Euribor a 12 meses é a taxa de referência para empréstimos com revisão anual. A prestação só é atualizada uma vez por ano, o que dá maior previsibilidade ao orçamento familiar.

Em contrapartida, reage mais lentamente às descidas da Euribor, o que pode ser desvantajoso em períodos de queda das taxas. Ainda assim, pode fazer sentido para quem valoriza estabilidade e prefere evitar alterações frequentes na prestação.

Em março de 2026, a média mensal da Euribor a 12 meses fixou-se em 2,565%.

Como a Euribor afeta a tua prestação

Na maioria dos créditos habitação a taxa variável em Portugal, a taxa de juro final é composta por dois elementos:

Taxa de juro = Euribor + Spread

O spread é a margem fixa negociada com o banco no momento da contratação e mantém-se constante durante toda a vida do contrato. A Euribor é a componente variável, atualizada periodicamente conforme o prazo indexado ao contrato.

Quando a Euribor sobe, a taxa de juro total sobe e a prestação mensal aumenta. Quando a Euribor desce, a taxa de juro total desce e a prestação mensal diminui.

Exemplo concreto com crédito de 150.000€, spread de 1% e prazo de 30 anos:

Euribor a 6 meses Taxa total Prestação mensal
0,5% (mínimo histórico, 2021) 1,5% ~518€
4,0% (pico de 2023) 5,0% ~805€
2,322% (março 2026) 3,322% ~658€

Nota: valores indicativos para ilustração. A prestação real depende do montante em dívida no momento da revisão, não do montante original.

A diferença entre o pico de 2023 e março de 2026 representa uma poupança de cerca de 147€ por mês neste exemplo, ou seja, mais de 1.700€ por ano. Para créditos de maior montante, o impacto é proporcionalmente mais elevado.

Como funciona a revisão da prestação

A prestação do teu crédito habitação a taxa variável não muda todos os dias com a Euribor. Muda apenas na data de revisão, que ocorre com a frequência do prazo indexado ao contrato.

Como é calculada a Euribor na revisão: o banco não usa o valor da Euribor no dia exato da revisão. Usa a média mensal do mês anterior à revisão, calculada com base nos valores dos dias úteis desse mês. Por exemplo, se a revisão é em abril, o banco usa a média de março.

O que acontece na revisão: o banco recalcula a prestação com base no montante ainda em dívida nessa data, no prazo restante e na nova taxa de juro, composta pela nova Euribor mais o spread fixo. A nova prestação aplica-se durante o período seguinte até à próxima revisão.

A evolução recente da Euribor e o que esperar

A Euribor viveu nos últimos anos uma verdadeira montanha-russa, com impacto direto nas finanças das famílias portuguesas com crédito habitação.

2021 e início de 2022: Euribor negativa ou próxima de zero, resultado da política de taxas ultrabaixas do BCE para estimular a economia após a pandemia. As prestações estavam em mínimos históricos.

2022 a 2023: o BCE iniciou um ciclo de subidas agressivas das taxas para combater a inflação na zona euro. A Euribor passou de valores negativos para valores acima dos 4% em 2023, numa subida muito rápida. Muitas famílias viram as prestações duplicar ou quase.

2024 a 2025: o BCE iniciou um ciclo de cortes graduais à medida que a inflação foi descendo. A Euribor acompanhou essa descida, terminando 2025 em torno de 2%.

2026: a Euribor estabilizou em torno de 2% a 2,5%, dependendo do prazo. O BCE manteve as taxas inalteradas nas primeiras reuniões de 2026, com a taxa de refinanciamento em 2,15%. A principal incerteza para o restante do ano é o impacto do conflito no Médio Oriente na inflação e nas consequentes decisões do BCE.

Qual a melhor taxa Euribor: 3, 6 ou 12 meses

Não existe uma resposta universal. A escolha do prazo da Euribor depende da tua tolerância ao risco, da importância que dás à estabilidade e das expectativas sobre a evolução das taxas.

Euribor a 3 meses

Vantagem: beneficia mais rapidamente das descidas da Euribor.

Desvantagem: tem mais volatilidade e a prestação pode mudar quatro vezes por ano.

Ideal para: quem aceita variação frequente e quer aproveitar descidas mais depressa.

Euribor a 6 meses

Vantagem: oferece equilíbrio entre reatividade e estabilidade, com revisão semestral.

Desvantagem: reage mais lentamente às descidas do que a Euribor a 3 meses.

Ideal para: a maioria dos perfis. É o prazo mais comum em Portugal por um motivo.

Euribor a 12 meses

Vantagem: maior previsibilidade, com prestação atualizada apenas uma vez por ano.

Desvantagem: reage mais lentamente tanto às subidas como às descidas.

Ideal para: quem valoriza a estabilidade orçamental acima de tudo.

Em março de 2026, a Euribor a 3 meses, de 2,109%, é mais baixa do que a de 6 meses, de 2,322%, e do que a de 12 meses, de 2,565%. Numa curva de taxas normal, prazos mais longos têm taxas mais altas porque refletem maior incerteza futura.

O impacto da Euribor na taxa de esforço e na consolidação de créditos

Quando a Euribor sobe, a prestação do crédito habitação sobe também. Se já tens outros créditos ativos, como crédito pessoal, automóvel ou cartões, o aumento da prestação da casa pode empurrar a tua taxa de esforço para cima do limite recomendado de 35 a 40% definido pelo Banco de Portugal, ou mesmo aproximá-la do limite legal de 50%.

Neste cenário, a consolidação de créditos pode ser uma ferramenta útil. Juntar os créditos pessoais e o automóvel num único contrato com prestação mais baixa pode libertar margem no orçamento para absorver a subida da prestação do crédito habitação, sem que a taxa de esforço total ultrapasse os limites.

Exemplo:

Situação Valor
Rendimento líquido 2.000€
Prestação crédito habitação após subida da Euribor 750€
Peso da prestação habitação no rendimento 37,5%
Prestação crédito pessoal + automóvel 350€
Taxa de esforço total antes da consolidação 1.100€ / 2.000€ = 55%
Prestação consolidada após consolidar créditos pessoais 200€
Nova taxa de esforço 950€ / 2.000€ = 47,5%

Nota: valores indicativos para ilustração.

O que fazer quando a Euribor sobe e a prestação aumenta

Quando a Euribor sobe, não controlas diretamente a taxa de referência, mas podes atuar sobre outras partes do teu orçamento e do contrato. Há várias estratégias que podem ajudar a reduzir o impacto.

Renegociar o spread com o banco atual

Se o teu spread foi contratado há vários anos, pode estar acima do que conseguirias negociar hoje. Uma redução no spread compensa parcialmente o efeito de uma Euribor mais alta.

O banco não é obrigado a aceitar, mas a possibilidade concreta de transferires o crédito para outro banco é frequentemente o argumento mais eficaz numa negociação.

Transferir o crédito para outro banco com spread mais baixo

A transferência do crédito habitação para outro banco é gratuita desde outubro de 2024. Se encontrares um spread mais competitivo noutra instituição, a diferença pode compensar os custos administrativos da transferência.

Além disso, iniciar o processo de transferência pode levar o banco atual a apresentar uma proposta de retenção com melhores condições.

Considerar a conversão para taxa fixa

Se a Euribor está num patamar que te preocupa e preferes previsibilidade, podes negociar com o banco a conversão de taxa variável para taxa fixa.

A taxa fixa elimina a incerteza da Euribor, mas tende a ser mais cara no curto prazo. Por isso, vale a pena comparar a prestação atual, a prestação em taxa fixa e possíveis cenários de subida ou descida da Euribor.

Consolidar outros créditos para libertar margem

Consolidar créditos mais caros, como créditos pessoais, cartões ou crédito automóvel, pode reduzir a prestação total mensal e compensar o impacto de uma Euribor mais alta no crédito habitação.

Esta solução não altera diretamente a Euribor nem a prestação da casa, mas pode baixar a pressão global sobre o orçamento e ajudar a manter a taxa de esforço dentro de limites sustentáveis.

Amortizar antecipadamente capital

Se tens poupanças disponíveis, amortizar antecipadamente parte do capital em dívida reduz o montante sobre o qual a Euribor é aplicada.

Na prática, quanto menor for o capital em dívida, menor será o impacto de futuras subidas da taxa de juro na prestação. Antes de avançar, deves comparar a poupança em juros com eventuais custos de amortização antecipada.

Quando a Euribor mexe, o orçamento também tem de mexer

A Euribor é a taxa de referência que determina a componente variável do custo do teu crédito habitação. Em março de 2026, situa-se em 2,109% a 3 meses, 2,322% a 6 meses e 2,565% a 12 meses, valores significativamente mais baixos do que o pico de 2023, mas ainda acima dos mínimos históricos de 2021.

Quando a Euribor sobe, a tua prestação sobe. Quando desce, a tua prestação desce. Se a subida da Euribor está a pressionar a tua taxa de esforço, existem ferramentas concretas para mitigar o impacto: renegociar o spread, transferir o crédito, converter para taxa fixa, amortizar antecipadamente ou consolidar outros créditos para libertar margem no orçamento.

Perguntas frequentes sobre a Euribor

O que é a Euribor e como funciona?

A Euribor, ou Euro Interbank Offered Rate, é a taxa de juro média à qual os principais bancos da zona euro se emprestam dinheiro entre si no mercado interbancário. É calculada diariamente pelo European Money Markets Institute (EMMI) e publicada para vários prazos: 1 semana, 1 mês, 3 meses, 6 meses e 12 meses. Em Portugal, é a taxa de referência usada na maioria dos créditos habitação a taxa variável. A taxa de juro final do crédito é a Euribor mais o spread negociado com o banco.

Qual o valor da Euribor hoje em março de 2026?

As médias mensais de março de 2026 fixaram-se em 2,109% a 3 meses, 2,322% a 6 meses e 2,565% a 12 meses. Para o valor diário atualizado, consulta o Portal do Cliente Bancário do Banco de Portugal ou o site do European Money Markets Institute (EMMI).

Qual a previsão da Euribor para 2026?

O BCE manteve as taxas inalteradas nas primeiras reuniões de 2026, com a taxa de refinanciamento em 2,15%. As previsões dos analistas apontam para estabilização da Euribor em torno de 2% a 2,5% ao longo do ano, embora a incerteza associada ao conflito no Médio Oriente e ao seu impacto na inflação introduza riscos de subida. Nenhuma previsão de Euribor é garantida.

Qual a melhor taxa Euribor: 3, 6 ou 12 meses?

Não existe uma resposta universal. A Euribor a 3 meses reage mais depressa às descidas, mas tem mais volatilidade. A de 12 meses dá mais previsibilidade, mas reage mais lentamente. A de 6 meses é um compromisso entre as duas e é atualmente a mais usada em Portugal. Em março de 2026, a Euribor a 3 meses é a mais baixa das três.

Quanto vai subir a minha prestação da casa se a Euribor subir?

Depende do montante em dívida, do prazo restante e do spread. Como referência, uma subida de 0,5 pontos percentuais na Euribor num crédito de 150.000€ a 30 anos representa um aumento de cerca de 37€ por mês na prestação. Para créditos de 200.000€, o impacto é de cerca de 50€ por mês por cada 0,5 pontos de subida.

A Euribor pode voltar a ser negativa?

É tecnicamente possível, mas improvável no curto prazo. A Euribor foi negativa entre 2015 e 2022, fruto da política de taxas ultrabaixas do BCE para estimular a economia. Com a inflação atual e o contexto geopolítico, o regresso a valores negativos não está nos cenários previstos pelos analistas para 2026.

O que é a média mensal da Euribor e para que serve?

A média mensal da Euribor é a média aritmética dos valores diários da Euribor ao longo de um mês. É este valor que os bancos usam para calcular a nova prestação nas revisões dos créditos habitação. Por exemplo, se o teu contrato revê a prestação em abril com base na Euribor a 6 meses, o banco usa a média mensal de março para calcular a nova prestação.

Scroll to Top