O que é um crédito consolidado, em poucas palavras
Um crédito consolidado junta vários créditos, como o cartão de crédito, o crédito automóvel ou um crédito pessoal, num único empréstimo, com uma só prestação, uma só taxa e um só prazo. Em vez de gerir várias datas de pagamento e várias taxas diferentes, passa a ter um compromisso mensal mais simples de controlar.
E de onde vem a poupança?
A poupança num crédito consolidado pode vir de três lados:
1. Taxa de juro mais baixa. Cartões de crédito e alguns créditos pessoais têm taxas elevadas. Ao juntá-los num crédito com uma taxa mais baixa, paga menos juros sobre o mesmo valor em dívida.
2. Prestação mensal mais baixa. Ao alargar o prazo, a prestação desce. Isto liberta dinheiro todos os meses, mas atenção: um prazo mais longo pode significar pagar mais juros no total.
3. Menos custos fixos e menos risco de atrasos. Com uma única prestação, deixa de pagar várias comissões de gestão e reduz o risco de falhar um pagamento, o que evita juros de mora e penalizações.
Um exemplo prático
Exemplo meramente ilustrativo, calculado apenas com TAN e sem comissões, impostos ou seguros.
Imagine uma família com três créditos em curso:
| Crédito | Valor em dívida | Prestação mensal |
|---|---|---|
| Cartão de crédito | 3.000 € | 150 € |
| Crédito automóvel | 8.000 € | 220 € |
| Crédito pessoal | 5.000 € | 180 € |
| Total | 16.000 € | 550 € |
Consolidando os 16.000 € com uma TAN de 8,5%:
| Prazo | Prestação mensal | Folga mensal face aos 550 € | Total pago |
|---|---|---|---|
| 48 meses | ≈ 394 € | ≈ 156 € | ≈ 18.930 € |
| 84 meses | ≈ 253 € | ≈ 297 € | ≈ 21.290 € |
A leitura é simples: o prazo mais longo dá mais folga por mês, mas custa cerca de 2.360 € a mais no total. O prazo mais curto dá menos folga, mas é o que mais poupa a longo prazo. A escolha certa depende do seu orçamento, e é por isso que a comparação deve ser sempre feita com base na TAEG e no MTIC (Montante Total Imputado ao Consumidor), que incluem todos os custos.
Pagar menos não é o mesmo que poupar
Este é o ponto onde muitas pessoas se perdem. Se a prestação desce 150 € e esses 150 € desaparecem em despesas do dia a dia, a consolidação resolveu o aperto do mês, mas não criou poupança. Pior ainda: se o cartão de crédito voltar a ser usado, a família acaba com o crédito consolidado e uma dívida nova.
A poupança real acontece quando a diferença é canalizada para um objetivo.
5 formas de transformar a diferença em poupança
Automatize no dia a seguir à prestação. Crie uma transferência automática para uma conta poupança logo depois do débito do crédito. O que não vê na conta à ordem, não gasta.
Comece pelo fundo de emergência. O objetivo habitual é ter entre três e seis meses de despesas fixas guardados. É esta almofada que evita recorrer novamente a crédito quando surge um imprevisto.
Guarde pelo menos metade da folga. Se não consegue poupar a diferença toda, defina uma regra fixa. Com 156 € de folga, guardar metade são 78 € por mês, ou seja, mais de 930 € ao fim de um ano.
Feche ou reduza o limite do cartão consolidado. Depois de liquidado, o cartão de crédito é a principal tentação. Cancelar ou baixar o limite protege a poupança que acabou de criar.
Considere amortizar antecipadamente. Se a situação melhorar, pode usar parte da poupança para amortizar o crédito e reduzir juros. Confirme sempre no contrato as condições de reembolso antecipado.
Quando a consolidação pode não compensar
- Quando a nova TAEG é superior à média das taxas que já paga.
- Quando o prazo é alargado muito além do necessário e o custo total dispara.
- Quando os créditos atuais estão quase no fim e os custos de mudança anulam a vantagem.
- Quando não há mudança de hábitos e os cartões voltam a ser usados.
Perguntas frequentes
O crédito consolidado ajuda mesmo a poupar?
Pode ajudar, sobretudo quando junta créditos com taxas altas num crédito com taxa mais baixa. A poupança efetiva depende da TAEG, do prazo escolhido e do que faz com a diferença na prestação.
É melhor escolher um prazo curto ou longo?
Um prazo curto tende a sair mais barato no total; um prazo longo dá mais folga mensal. O ideal é escolher a prestação mais alta que o seu orçamento suporta com conforto.
Posso consolidar o cartão de crédito?
Sim. Os cartões de crédito estão entre os créditos que mais beneficiam da consolidação, por terem normalmente taxas mais elevadas.
Que valores devo comparar entre propostas?
A TAEG e o MTIC. A TAN, sozinha, não inclui comissões, impostos nem seguros.